Algumas das doenças mais graves do ambiente corporativo não surgem de um acidente visível, nem de um evento súbito. Elas se instalam aos poucos, em silêncio, até o momento em que o corpo já não consegue mais compensar. As LER/DORT, associadas a falhas ergonômicas e repetição de movimentos, são exemplos claros desse tipo de risco invisível.
Em muitos casos, quando a dor aparece, o problema já está avançado. Por isso, falar de ergonomia e prevenção não é apenas uma questão técnica, mas uma decisão estratégica que envolve cuidado, cultura e visão de longo prazo.
O que são LER/DORT e por que elas são tão comuns
As Lesões por Esforços Repetitivos e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho envolvem inflamações, dores e limitações que afetam músculos, tendões, articulações e nervos. Elas surgem, principalmente, da combinação entre repetição, postura inadequada, esforço excessivo e ausência de pausas adequadas.
O grande desafio é que essas lesões não aparecem de forma imediata. O corpo tenta se adaptar, compensar, suportar. Só que toda compensação tem um custo. Quando os limites são ultrapassados, o dano se manifesta, muitas vezes de forma crônica.
Segundo a Fundacentro, as LER/DORT continuam entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, especialmente em atividades administrativas, industriais e de serviços que exigem repetição e atenção contínua.
Quando a tensão não encontra descanso
Imagine um elástico sendo esticado repetidamente ao longo do dia. Ele pode até voltar à forma original nas primeiras vezes, mas se não houver descanso, chega um momento em que perde a elasticidade ou se rompe.
O corpo humano funciona de forma semelhante. Movimentos repetitivos, sem variação ou pausas, criam microagressões constantes. A ergonomia atua justamente para reduzir essa tensão contínua, permitindo recuperação, alternância e equilíbrio.
Prevenir LER/DORT é, portanto, aprender a soltar o elástico antes que ele se rompa.
Ergonomia além da cadeira e da mesa
Quando se fala em ergonomia, muitas empresas pensam apenas em mobiliário. Cadeiras, mesas e suportes são importantes, mas representam apenas uma parte do conceito.
A ergonomia moderna considera também o ritmo de trabalho, a organização das tarefas, o nível de atenção exigido e até o ambiente emocional. Um posto bem ajustado, inserido em uma rotina exaustiva, continua sendo um fator de risco.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevenção de distúrbios musculoesqueléticos depende da combinação entre ajustes físicos e organização saudável do trabalho, incluindo pausas, alternância de tarefas e redução de sobrecarga.
Por que essas lesões afetam também a segurança
LER/DORT não causam apenas dor. Elas comprometem atenção, tempo de reação e precisão dos movimentos. Um trabalhador com dor constante tende a se distrair mais, a buscar atalhos e a reduzir o cuidado em tarefas que exigem atenção.
Isso significa que ergonomia é também um fator de prevenção de acidentes. Quando o corpo está sobrecarregado, o comportamento seguro se fragiliza. A prevenção dessas lesões contribui para ambientes mais atentos, produtivos e seguros.
É um erro separar ergonomia de segurança do trabalho. Na prática, elas caminham juntas.
O papel das pausas e da variação
Um dos elementos mais subestimados na prevenção de LER/DORT são as pausas. Pausar não é perder tempo. É permitir que o corpo se recupere e mantenha sua capacidade funcional.
Além disso, a variação de movimentos e tarefas reduz a repetição contínua, distribuindo o esforço por diferentes grupos musculares. Pequenas mudanças, quando bem orientadas, têm impacto significativo ao longo do tempo.
Segundo o NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health), pausas programadas e variação de atividades estão entre as medidas mais eficazes para redução de distúrbios musculoesqueléticos no trabalho.
Ergonomia como cultura, não como correção pontual
Empresas maduras não tratam ergonomia apenas quando o problema aparece. Elas incorporam o tema à cultura, estimulando o cuidado contínuo com o corpo e o reconhecimento dos próprios limites.
Isso envolve treinamento, comunicação clara e, principalmente, liderança consciente. Quando gestores valorizam pausas, ajustam metas de forma realista e incentivam o autocuidado, a prevenção se torna parte do dia a dia.
A ergonomia eficaz não é imposta. Ela é compreendida e praticada.
Insight rápido
As lesões mais perigosas não são as que aparecem de repente, mas as que se constroem em silêncio. Ergonomia é a arte de escutar o corpo antes que ele grite.
Quando a mensagem precisa ser sentida, não apenas explicada
Há temas que não se resolvem apenas com orientações técnicas. Ergonomia, atenção e cuidado corporal exigem consciência. Quando as pessoas compreendem, de forma simbólica e prática, como pequenas distrações e hábitos repetidos impactam o corpo, a mudança acontece.
É nesse ponto que experiências educativas ganham força. A Realizarte Palestras trabalha exatamente essa percepção em suas apresentações para SIPAT, SIPATMA, SIPATR e SIPAMIM, conectando comportamento, atenção e prevenção.
Em palestras como “A Fórmula Mágica da Segurança”, o público vivencia, por meio de metáforas visuais e reflexões, como o excesso de confiança, a pressa e a repetição automática podem nos afastar do cuidado com o corpo e com a vida. A mensagem não é apenas compreendida, ela é sentida.
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